ONU Declara Tráfico de Africanos Escravizados como Crime contra a Humanidade

A Assembleia Geral da ONU aprovou uma resolução histórica na última quarta-feira (25), declarando o tráfico de africanos escravizados como o crime mais grave na história da humanidade. A resolução, proposta por Gana, obteve o apoio de 123 dos 193 países membros das Nações Unidas, incluindo o Brasil. No entanto, 52 países se abstiveram, entre eles o Reino Unido e os membros da União Europeia, enquanto Argentina, Estados Unidos e Israel votaram contra.

O reconhecimento da ONU se refere ao sequestro e transporte forçado de aproximadamente 12,5 milhões de africanos para as Américas ao longo de quatro séculos. O Brasil foi o principal destino desses africanos escravizados, recebendo cerca de 5 milhões de pessoas.

A resolução agora exige reparações, um tema complexo e multifacetado. Para aprofundar a discussão sobre o significado dessa decisão da ONU, o podcast O Assunto entrevistou Ynaê Lopes dos Santos, doutora em história pela USP e professora de História da América da Universidade Federal Fluminense. Ynaê, especialista na história da escravidão, detalha as três etapas da organização econômica da escravidão: a captura na África, o transporte desumano nos navios negreiros e o trabalho forçado no Brasil.

A historiadora também aborda as diversas formas de violência a que as pessoas escravizadas eram submetidas, desde a violência física e psicológica até a exploração extrema e a negação de sua humanidade. Ela também explora possíveis caminhos para uma reparação histórica por este crime hediondo, considerando as complexidades envolvidas e os diferentes tipos de reparação que poderiam ser implementados.

A decisão da ONU representa um marco importante no reconhecimento da magnitude e das consequências duradouras da escravidão. Ao classificar o tráfico de africanos escravizados como o crime mais grave contra a humanidade, a organização busca promover a justiça, a memória e a reconciliação. A exigência de reparações abre um debate crucial sobre como lidar com o legado da escravidão e como construir um futuro mais justo e igualitário para todos.

A entrevista com Ynaê Lopes dos Santos no podcast O Assunto oferece uma análise aprofundada do tema, explorando as dimensões históricas, econômicas e sociais da escravidão, bem como os desafios e as possibilidades de reparação. O reconhecimento da ONU e o debate sobre reparações representam um passo importante na luta contra o racismo e a discriminação, e na busca por um mundo onde a dignidade humana seja respeitada e valorizada.

O podcast O Assunto é produzido por Luiz Felipe Silva, Sarah Resende, Carlos Catelan, Luiz Gabriel Franco e Juliene Moretti, com colaboração de Nayara Felizardo e Rafaela Zem. A apresentação é de Natuza Nery. O podcast diário do g1 está disponível em todas as plataformas de áudio e no YouTube, somando mais de 168 milhões de downloads e 14,2 milhões de visualizações no YouTube desde sua estreia em agosto de 2019.

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